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A importância de uma boa noite de sono para uma pele saudável

A importância de uma boa noite de sono para uma pele saudável

A importância de uma boa noite de sono já não é novidade. Todos sabemos que sete a nove horas de sono diárias dão o descanso necessário ao nosso corpo, à nossa mente e até à nossa pele! A expressão “sono de beleza” oferece a ideia (correcta!) de que um sono reparador consegue ter um papel fundamental na saúde global do organismo, até na forma como nos vemos a nós próprios, tendo uma implicação óbvia na auto-estima.

Nas últimas décadas, a saúde do sono tem sido alvo de uma grande atenção a nível do estudo da saúde global. Pessoas que possuem problemas ao nível do sono têm maior probabilidade de sofrer de doenças crónicas como a hipertensão, diabetes, obesidade e até cancro, levando ao aumento da mortalidade e a uma redução da qualidade de vida e da produtividade a nível laboral.

A pele é considerada como o maior órgão do corpo humano e tem um papel fundamental na regulação dos mecanismos de homeostasia e de protecção contra as agressões externas, sendo uma barreira com uma função termorreguladora e que tem o seu próprio ritmo circadiano. Estudos demonstram que a pele apresenta variações diárias na sua função de barreira, na perda transepidérmica de água e variações de temperatura e pH.

A homeostasia da barreira cutânea é relevante para a saúde da pele e até no contexto do aparecimento de várias doenças da pele, como dermatite atópica, psoríase e dermatite de contacto. Diariamente a nossa pele é agredida por inúmeros factores externos que provocam danos que, com o aumento da idade, se tornam mais difíceis de reparar. A função de protecção da pele pode ficar comprometida ao longo dos anos assim como a taxa de recuperação da função de barreira da mesma após a ruptura e após exposição a stresscrónico. Estudos anteriores sugerem que a taxa de recuperação da barreira cutânea é afectada por condições ambientais ou sistémicas. Inúmeras evidências relacionam intimamente a saúde da pele e os níveis de stress, sendo que a qualidade do sono está intimamente ligada também a um aumento das disfunções cutâneas, ao envelhecimento precoce da pele e até à percepção que temos da nossa própria pele.

Os níveis de stress ao qual expomos a nossa pele estão intimamente relacionados com os seguintes factores: alimentação pobre em antioxidantes; stress nas actividades diárias; e sono intermitente e não reparador.

O papel do Colagénio

A derme é a camada cutânea de maior volume e cuja actividade está intimamente relacionada com a estrutura da pele. É rica em glucosaminoglicanos, que oferecem à pele um elevado grau de flexibilidade e elasticidade. O colagénio tem um papel fundamental na estrutura e na integridade desta camada, sendo responsável pela força, suporte e integridade de vários tecidos. Como maior componente da derme, assume também responsabilidades de protecção da pele contra a agressão por agentes externos. Alguns estudos comprovam que a estrutura molecular do colagénio, a sua biossíntese e agregação são de elevada importância no que concerne aos mecanismos de desenvolvimento de doenças, processos de cicatrização e regeneração dos tecidos. A produção de colagénio pode ser afectada por factores internos e externos tais como a existência de enzimas degradativas, presença de espécies reactivas de oxigénio, presença de antioxidantes como vitamina C e ferro. O próprio sistema imunitário pode interferir com a produção de colagénio. Aliás, ao sujeitarmos o organismo a um stressconstante, estamos a por em causa a saúde do sistema imunitário, devido à influência do eixo entre as glândulas adrenal, pituitária e hipotálamo (APH). Existe também evidência de que a libertação de interleucina-1 (uma substância de carácter pro inflamatório, de elevada importância como mediador na resposta imunitária) aumenta a produção de colagénio tipo IV (componente maioritário da junção dermoepidérmica) nas células epiteliais. Este facto conduz a uma alteração na produção de colagenases que por sua vez podem actuam directamente na produção de colagénio, dependendo das células sinalizadoras.

Por outro lado, outros estudos demonstraram que algumas lesões a nível cutâneo estão relacionadas com o aumento de glucocorticóides (aumentados em indivíduos que não conseguem alcançar um sono reparador), os quais inibem a síntese lipídica, resultando numa diminuição da produção e secreção de corpos lamelares (estruturas intracelulares com 1 a 5 µ de diâmetro, ricas em lípidos), de extrema importância para a integridade da epiderme. Assim, o impedimento da produção de corpos lamelares no extracto córneo leva ao comprometimento da integridade da barreira epidérmica.

Em resposta ao stress o factor libertador de corticóides (que regula o eixo APH), inicia uma cascata de eventos que culminam na libertação de glucocorticóides pelo córtex adrenal. Um excesso de glucocorticóides tem efeitos negativos nos tecidos circundantes e acelera os processos de envelhecimento precoce da pele. Muitos estudos têm feito a ligação entre a libertação de hormonas de stress como os glucocorticóides e mudanças na integridade estrutural da pele.

Estudos demonstram que existe uma relação estreita entre o sistema imunitário e o stress, sendo fácil de verificar isso mesmo através de algumas manifestações cutâneas que ocorrem após a exposição a períodos de stress, tais como psoríase e dermatite. Desta forma, é possível verificar que o stress e os factores relacionados com o mesmo conseguem afectar em grande escala a barreira epidérmica.

Estudos demonstram que a privação do sono, além de todos os efeitos negativos que tem sobre o comportamento, ganho de peso, capacidade de concentração, etc, tem também bastante impacto nos níveis de prolactina, glucocorticóides e catecolaminas. De facto, alterações no eixo APH conduzem a um aumento na produção de corticóides e de ACTH.

Problemas de sono podem então conduzir ao aparecimento de rupturas a nível cutâneo, bem como nas mucosas. Nos humanos, estudos indicam que cerca de 42 horas de distúrbios do sono levam a um aumento de IL-1, TNF-alfa (factor de necrose tumoral) e da actividade das células NK. Foi possível também demonstrar a pele de sujeitos que têm um sono mais reparador produzem menos factores intrínsecos associados a um envelhecimento precoce da pele, tais como os radicais livres. Além disso, conseguem permitir à sua pele recuperar de forma mais eficaz aos efeitos nefastos das agressões externas, tais como a radiação UV, o que leva a pensar que os indivíduos com um sono mais eficiente possuem mecanismo de reparação celular e de DNA muito mais eficazes.

A privação do sono interfere com a produção de glucocorticóides, que levam à alteração da integridade da pele. Além disso, causa também a desregulação do sistema imunitário que, consequentemente, afecta a integridade das fibras de colagénio. Esta desregulação está intimamente relacionada com a desregulação do eixo APH, que causa uma elevação dos níveis de glucocorticóide. Este, por sua vez, tem efeitos imunomoduladores. Muitos estudos levam a crer que estes dois factores em conjunto (aumento de IL-1 e glucocorticóides) conduzem a uma alteração da conformação das fibras de colagénio, levando a uma desregulação das funções de protecção da própria pele.

Então, se o stress crónico pode induzir um estado de imunossupressão…

A integridade da barreira cutânea é posta em causa e os mecanismos que levam ao envelhecimento precoce da pele são accionados!

stress emocional, ao estar relacionado com o nível de glucocorticóides plasmáticos, leva a dificuldades de regeneração da própria pele, facto mais evidente até numa pele mais envelhecida. A própria pele de indivíduos com distúrbios do sono apresenta um grau muito superior de perda transepidérmica de água quando comparado com indivíduos com um sono reparador. A própria temperatura da pele aumenta durante a noite e fica mais baixa pela manhã. Este facto também conduz ao aumento da perda transepidérmica de água durante a noite. Assim, a adição de todos estes factores acabam por culminar no aparecimento de alguns sinais típicos de envelhecimento cutâneo precoce.

Desta forma, e apesar de serem amplamente conhecidos os mecanismos associados às dificuldades de indução do sono e ao stress, na prática, torna-se difícil contorná-los. A prática de exercício físico, medidas de correcção alimentar e a utilização de suplementos alimentares podem ajudar. No entanto, a utilização de produtos cosméticos pode ser a arma mais potente no que toca à saúde da pele, pois permitem manter a estrutura e a elasticidade da pele e protegê-la contra as perdas excessivas de água, aumentadas principalmente em indivíduos com fraca qualidade do sono, tal como descrito acima.

Então, se um sono reparador tem tanto impacto na saúde da pele, será que os cosméticos para aplicação nocturna assumem assim uma importância tão significativa?

Está provado que as células dos humanos exibem variações nos seus mecanismos internos de reparação e divisão, sendo durante a noite e madrugada que as células apresentam um nível mais elevado de reparação e divisão celulares. As células epidérmicas não são excepção e apresentam picos de divisão celular por volta das 23h30. Desta forma, esta é uma fase do dia que é considerada estratégica para oferecer à pele algumas armas mais importante no próprio processo de reparação. Por outro lado, a perda transepidérmica de água é maior ao fim do dia, relativamente ao início da manhã. Assim, é efectivamente preditivo que o impacto dos cuidados de noite na saúde da pele seja de extrema importância, pois, através da aplicação de cosméticos de elevado poder hidratante e nutritivo (principalmente nas pele mais secas e/ou envelhecidas), é possível manter a integridade da barreira cutânea e prevenir o impacto directo que os agentes causadores de stress possam ter na pele. Além da manutenção da integridade da barreira cutânea, é importante oferecer à pele substâncias que facilitem os seus mecanismos de reparação e regeneração, tais como activos de elevado poder calmante e antioxidante.

Está assim provado que uma boa noite de sono contribui para uma pele mais saudável e robusta. A falta de sono induz alterações ao nível do sistema imunitário, a consequentes alterações na produção de IL-1 e a uma produção exacerbada de corticóides que conduzem à degradação precoce das que fibras de colagénio que, por sua vez, reduz significativamente a elasticidade e a resistência da pele, acelerando o processo de envelhecimento. Esta falta de um sono reparador juntamente com factores como a poluição, o tabaco, os raios UV e o baixo consumo de substâncias antioxidantes levam a um aumento exponencial dos radicais livres na pele, conduzindo a fenómenos de stress oxidativo e a um envelhecimento precoce da pele. Assim, além de alterações ao estilo de vida, é de elevada importância a associação entre a aplicação de cuidados de noite específicos e uma rotina de protecção e regeneração da pele.

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