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A utilização da fitoterapia na ansiedade, depressão e insónia

A utilização da fitoterapia na ansiedade, depressão e insónia

A utilização de medicamentos para o controlo da ansiedade e com actividade marcada na redução das perturbações do sono em Portugal tem-se mantido elevada e superior à de outros países, apesar de diversos alertas e recomendações. Em 2016, 1,9 milhões de utentes portugueses adquiriram pelo menos uma embalagem de medicamentos destinados sobretudo ao tratamento das perturbações de ansiedade e insónia. Estes utentes são maioritariamente do género feminino (70%), nas faixas etárias entre os 55 e os 79 anos (52% do género feminino). 


A juntar a esta realidade, foi demonstrado através de dados de 2016 do SNS (Serviço Nacional de Saúde) que o registo de utentes com perturbações mentais nos cuidados de saúde primários vem a aumentar desde 2011, no que diz respeito às perturbações de ansiedade, às perturbações depressivas e à demência. O número maior de doentes com maior registo de perturbações de ansiedade e de demência encontram-se nas Regiões do Centro e do Alentejo. Estes dados mostram, além de uma maior acessibilidade aos serviços de saúde, uma maior procura de ajuda perante estes casos de patologias mentais, que até determinada altura eram desvalorizados.

Hoje em dia os transtornos associados a fenómenos de depressão e ansiedades são debatidos com mais sensibilidade que anteriormente. A depressão é considerada a doença do século XXI, apresentando, tanto em Portugal como no resto do mundo, dados bastante preocupantes.

A sensibilização da população e o aumento do conhecimento no que concerne a esta temática tem conduzido ao aumento da procura de um auxílio mais natural ao combate a este tipo de transtornos. Desta forma, o número de utentes que recorrem à fitoterapia tem aumentado nos últimos anos. Inúmeras fontes de literatura mostram uma variedade de mecanismos de actuação de plantas como o Hypericum perforatum L., Griffonia simplicifolia, Valeriana oficinalis e Passiflora incarnata, que são utilizadas na abordagem natural aos episódios de depressão, insónia e transtornos de ansiedade.


A depressão, ansiedade e insónia… Três problemas indissociáveis!

A depressão é uma doença mental que se caracteriza por uma tristeza mais marcada ou prolongada, perda de interesse por actividades habitualmente agradáveis e perda de energia ou cansaço fácil. Ter sentimentos depressivos é comum, sobretudo após experiências ou situações que nos afectam de forma negativa. No entanto, se os sintomas se agravam e perduram por mais tempo, o quadro de depressão pode tornar-se um facto.

A depressão pode afectar pessoas de todas as idades, desde a infância à terceira idade, sendo mais comum em mulheres. Se não for tratada, pode conduzir ao suicídio, uma consequência frequente. A depressão pode durar de alguns meses a alguns anos e, em cerca de 20 por cento dos casos, torna-se uma doença crónica sem remissão, principalmente devido à falta de tratamento adequado.

Da mesma forma, a ansiedade é um fenómeno que ora nos beneficia, ora nos prejudica, dependendo das circunstâncias ou intensidade. A ansiedade estimula o indivíduo a entrar em acção, porém, em excesso, faz exactamente o contrário, impedindo reacções. Desta forma, a ansiedade, quando ocorre num contexto esporádico e apenas em situações de problema ou limite, é necessária, pois é nessa altura que o corpo e a mente devem estar alinhados de forma a conseguir corresponder às exigências do momento.

A ansiedade passa a ser um problema com necessidade de uma abordagem terapêutica quando passa a ser um transtorno, ou seja, quando a frequência e as situações nas quais está presente são desajustadas. A perturbação da ansiedade é, então, um entrelaçar de preocupações excessivas e recorrentes sobre os aspectos quotidianos, acompanhada de sintomatologia física.

A insónia é o distúrbio do sono mais frequente no adulto e associa-se a importantes consequências, como o aumento da mortalidade causada por doenças cardiovasculares, distúrbios psiquiátricos, acidentes e o absentismo laboral. A insónia é definida como uma experiência de sono inadequado ou de qualidade limitada, apesar de existir uma oportunidade e condições adequadas para dormir, prejudicando o funcionamento social, ocupacional e de outras actividades diurnas. Pode ainda ser definida como uma dificuldade em iniciar o sono, dificuldade em manter o sono, acordar muito cedo ou, embora com menor frequência, por uma queixa de sono não reparador ou de má qualidade.

As doenças psiquiátricas que mais frequentemente se apresentam com insónia incluem a depressão e a ansiedade.

Desta forma, pressupõe-se que os níveis de ansiedade, depressão e stress possam ter alguma influência no sono e vice-versa. Existe uma impactante relação entre reduzidas horas de sono, maior sonolência diurna e níveis mais elevados de ansiedade, depressão e stress.


A abordagem através da fitoterapia

Tal como descrito anteriormente, a fitoterapia mostra ser eficaz na regulação de inúmeros mecanismos de acção no que toca à actividade dos neurotransmissores responsáveis pela regulação do humor, da ansiedade e do ciclo do sono.

Muitas plantas utilizadas frequentemente em suplementos alimentares já possuem uma acção bastante estudada no que toca à regulação de diversos mecanismos de equilíbrio do sistema nervoso.

O extracto de hipercão (Hypericum perforatum), foi amplamente estudado para a depressão. A maioria dos estudos mostra que funciona bem como antidepressivo para depressão leve a moderada. Tem menos efeitos colaterais do que a maioria dos antidepressivos, necessitando de 4 a 6 semanas para que possam ser sentidas melhorias. O extracto de hipericão é rico em hipericina e hiperforina, que actuam sob variados mecanismos de acção. Este facto permite a este extracto ter actividade tanto ao nível da depressão, como da ansiedade e até na insónia, tornando esta planta numa excelente base de desenvolvimento de novos produtos com acção nesta área.

A valeriana (Valeriana officinalis) é uma planta muito utilizada na insónia, sendo muitas vezes até usada em episódios de ansiedade. Sendo rica em ácidos valerénicos, a raíz de valeriana tem sido empregue como sedativo em casos de stress e como relaxante muscular. Considera-se que os benefícios da valeriana se devem à sua acção sobre o GABA (ácido gama-aminobutírico), um neurotransmissor inibidor no sistema nervoso e o grande promotor da sensação de relaxamento. Estudos indicam que a valeriana reduz a sensação de ansiedade sem provocar sedação, ao mesmo tempo que consegue reduzir a frequência cardíaca e a pressão sistólica.

A grifónia (Grifonia simplicifolia) é uma planta rica em 5-HTP (5-Hidroxitriptofano), um percursor directo do neurotransmissor serotonina (necessário para o equilíbrio do humor e regulação da ansiedade e insónia) e que deriva do aminoácido triptofano. É possível obter o triptofano através da alimentação, no entanto, a quantidade normalmente disponível para formação de 5-HTP ronda o 1%, ficando aquém do necessário para o equilíbrio dos níveis de serotonina quando está em défice. Por outro lado, o 5-HTP oferece outra vantagem relativamente ao triptofano, pois consegue atravessar a barreira hematoencefálica e exercer a sua função de forma rápida e directa.

A passiflora (Passiflora incarnata) é desde sempre conhecida graças aos seus efeitos calmantes e ansiolíticos. Em diversos estudos, a Passiflora demonstrou uma redução da actividade motora espontânea e um prolongamento do tempo de sono, assim como demonstrou ter capacidades sedativas, combate à irritabilidade e dificuldades em dormir. É uma das plantas mais utilizadas em suplementos alimentares e até em crianças, graças ao seu modo de actuação suave. É tradicionalmente utilizada em situações de irritabilidade, ansiedade, manifestações psicossomáticas, insónia e transtornos nervosos, principalmente nos jovens.

Outras plantas que podem ser sugeridas em episódios de ansiedade incluem gengibre (Zingiber officinalis), camomila (Matricaria chamomilla) e alcaçuz (Glycyrrhiza glabra).


Outras substâncias com actividade reguladora do humor e da ansiedade

As substâncias seguintes podem ser parte integrante de alguns suplementos alimentares e produtos de saúde que podem ajudar na redução de sintomas relacionados com a ansiedade, depressão e insónia.

SAMe (s-adenosil-L-metionina) é uma substância produzida endogenamente e que tem a capacidade de aumentar os níveis de dopamina e melatonina.

A melatonina é um neurotransmissor endógeno e com actividade no auxílio na indução do sono e torna-se particularmente importante em pessoas que interromperam os ritmos circadianos (como o jet lag ou o trabalho por turnos). Alguns estudos clínicos sugerem que a melatonina é significativamente eficaz para reduzir o tempo necessário para adormecer, para aumentar o número de horas de sono e o estado de alerta diurno.

De um modo geral, a utilização de substâncias que contribuem para o aumento da biodisponibilidade dos neurotransmissores (como a serotonina, por exemplo) melhora o quadro depressivo, de ansiedade e insónia, sendo o recurso à utilização de plantas medicinais um factor chave na minimização dos sintomas deste tipo de transtorno.

Apesar de tudo, é importante referir que a utilização de plantas medicinais obedece a algum critério e cuja actividade deve ser tida em conta no momento da escolha. É de ressalvar que muitas destas substâncias são inibidoras ou potenciadoras da actividade de alguns medicamentos, podendo muitas vezes entrar em conflito ou interagir com os mesmos.

Assim, recorrer à fitoterapia pode ser uma opção em caso de transtornos minor, mesmo antes de haver necessidade de recorrer à medicina convencional. Desta forma, as plantas medicinais podem ser um aliado de peso na progressão destes problemas desde os primeiros sintomas.

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