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A Vitamina C previne mesmo as constipações?

A Vitamina C previne mesmo as constipações?

Com a chegada do tempo frio, chegam também as tão incómodas constipações e outras afeções do trato respiratório, como a gripe ou, em casos mais graves, a pneumonia. Mas que influência terá a sazonalidade no nosso sistema imunitário e que medidas poderemos adotar para reforçar a imunidade?

O sistema imunitário

O sistema imunitário consiste numa rede multifacetada e sofisticada de órgãos, tecidos, células, proteínas e outras substâncias especializadas, que protege o organismo de variados agentes nocivos, como bactérias, vírus, fungos, parasitas e células cancerígenas.

Este sistema pode ser dividido em barreiras epiteliais e constituintes celulares e humorais, tanto de imunidade inata (não específica) como adquirida (específica).

A imunidade humoral é mediada por anticorpos, produzidos por células B (linfócitos) após o reconhecimento de um antigénio (um vírus por exemplo). Após esse primeiro contato, as células B sofrem diferenciação e algumas tornam-se células B de memória, sendo que estas, após uma segunda exposição ao antigénio, conseguem responder prontamente à ameaça.

Quanto à imunidade celular, esta não depende de anticorpos mas sim de células T (linfócitos), de macrófagos e da libertação de citoquinas, em resposta aos antigénios. Este tipo de imunidade é acionada quando ocorre infeção intracelular por vírus, bactérias ou fungos. As células T são também capazes de reconhecer células cancerígenas.⁠

Sazonalidade e infeções oportunistas

Muitas doenças infeciosas prosperam quando o tempo está frio, quando tipicamente as pessoas permanecem mais tempo em ambientes fechados e aquecidos. O mecanismo que está por trás desta propensão ainda está pouco esclarecido. Será do frio? Do ar aquecido? Da maior concentração de pessoas em espaços fechados?

Mas uma coisa é certa: os patogénios gostam de facto de ambientes lotados, especialmente quando aliados a ventilação insuficiente. Além disso, o aumento da humidade relativa também permite uma maior estabilidade das gotículas transportadas pelo ar, nas quais os patogénios são transmitidos de pessoa para pessoa, como acontece com o vírus influenza (vírus da gripe).

A identificação das razões para a sazonalidade das doenças infeciosas pode possibilitar a implementação de medidas preventivas e pode até ajudar no desenvolvimentos de políticas efetivas que permitam utilizar os recursos de saúde de forma mais eficaz e eficiente.⁠

O resfriado comum, ou constipação, pode ser causado por vários vírus respiratórios, sendo o mais comum o rinovírus, mas pode ser também provocado por adenovírus, coronavírus, parainfluenza ou influenza.

Como tal, a constipação não se refere apenas a uma doença específica, mas a um conjunto de sintomatologias que podem ter diferentes agentes etiológicos. A sua manifestação consiste na combinação de vários sintomas como corrimento e obstrução nasais, tosse, dor de garganta, mal-estar geral e apatia, associados ou não a febre.

Normalmente os sintomas são leves e transitórios e o uso de antibióticos é inútil, já que a larga maioria das constipações são causadas por vírus. Como tal, medidas terapêuticas alternativas neste tipo de doenças são de grande interesse por parte da saúde pública.⁠

O papel da vitamina C no sistema imunitário

A vitamina C é um nutriente essencial que não é sintetizado pelo organismo, tendo as suas necessidades de ser supridas através da alimentação. A ingestão de 100 a 200 mg por dia de vitamina C fornece a concentração plasmática adequada para indivíduos saudáveis, sendo esta quantidade suficiente para que a vitamina desempenhe o seu papel na redução do risco de doenças crónicas.

No entanto, mesmo em países desenvolvidos, por vezes estes níveis não são atingidos, devido a hábitos alimentares menos saudáveis, estilos de vida que aumentam a necessidade do organismo em micronutrientes (como o consumo de álcool ou tabaco), algumas doenças, exposição a poluentes ou razões económicas.

No geral, a vitamina C parece ter vários efeitos benéficos ao nível das funções celulares tanto do sistema imunitário inato como adaptativo. Além de ser um potente antioxidante, protegendo o organismo contra agressões oxidativas endógenas e exógenas, é provável que a sua função enquanto cofator de inúmeras enzimas biossintéticas e reguladoras genéticas desempenhe um papel fundamental nos efeitos moduladores imunes.

A vitamina C estimula a migração de neutrófilos para o local da infeção, aumenta a fagocitose e a morte bacteriana e, ao mesmo tempo, protege o organismo do dano excessivo. Assim sendo, esta vitamina mostra-se essencial tanto para a resposta adequada do sistema imunitário face a patogénios como para minimizar os efeitos nocivos que essa resposta possa provocar no indivíduo.

Diversos estudos indicam que a suplementação em vitamina C com doses diárias superiores a 200 mg é eficaz para melhorar a gravidade e duração dos sintomas de constipação. Mostrou-se também capaz de diminuir a incidência da patologia em indivíduos com um aporte insuficiente desta vitamina.

Estudos demonstraram ainda diminuições significativas tanto nos níveis de vitamina C leucocitária como na sua excreção urinária durante a ocorrência de episódios de constipação, voltando os seus níveis ao normal após a infeção. Estas alterações indicam que a vitamina C é utilizada pelo organismo no combate à constipação.

Estes resultados sugerem que a administração de vitamina C poderá ser benéfica na melhoria da sintomatologia associada à constipação e na diminuição da duração da mesma, ao potenciar várias funções das células imunes. Ainda assim, devem ser mantidos alguns cuidados a fim de prevenir o contágio.  

Apesar disto, mais estudos são necessários para corroborar a ação da vitamina C ao nível do sistema imunitário.

A alimentação e a proteção do sistema imunitário

A ingestão de nutrientes como parte de uma dieta variada e equilibrada é essencial tanto para a saúde como para a função de todas as células, incluindo as células imunitárias. Alguns padrões alimentares poderão preparar melhor o organismo para combater ataques de microrganismos ou estados inflamatórios. No entanto, a ingestão de alimentos ou nutrientes de forma isolada não parece prevenir infeções respiratórias.

Cada fase da resposta imunitária depende da presença de vários micronutrientes, como a vitamina C, a vitamina D, o zinco, o selénio, o ferro e proteínas (como o aminoácido glutamina). Como tal, é importante manter uma dieta rica em alimentos que forneçam estes nutrientes ao nosso organismo, como é o caso das frutas e vegetais.

A microbiota intestinal desempenha um papel fundamental na função imunitária, já que o intestino é um dos principais locais da produção de proteínas antimicrobianas. Uma dieta rica em fibra dietética, especialmente presente em frutas, legumes, vegetais e cereais integrais parece sustentar o crescimento e manutenção dos microrganismos benéficos no intestino.

Também os alimentos probióticos, por se tratarem de alimentos ricos em culturas bacterianas benéficas, ajudam na manutenção de uma microbiota saudável e no normal funcionamento do intestino. Estes incluem o kefir, iogurtes, a kombucha ou alimentos fermentados.

É ainda de evitar o consumo excessivo de alimentos processados, açúcares refinados e carnes vermelhas, já que este tipo de alimentos terão um impacto negativo nos microrganismos intestinais, resultando em inflamação crónica do intestino que, por sua vez, compromete a resposta imunitária.

Voltando então à pergunta incial, a vitamina C previne mesmo constipações?

Não há dados que comprovem inequivocamente que a vitamina C previne as constipações ou outras doenças infeciosas, mas, sem dúvida, que o aporte adequado de nutrientes, seja por meio da alimentação ou suplementação, irá ajudar na manutenção do bem-estar do sistema imunitário.

No entanto, essa ingestão deve associar-se a estilos de vida saudáveis e medidas preventivas que minimizem o risco de exposição a patogénios infeciosos. Arejar os espaços, cumprir a etiqueta respiratória, descansar o suficiente, lavar bem as mãos e evitar aglomerações e espaços fechados são algumas dessas medidas.

Autoria: Beatriz Bonito | Farmacêutica
Referências Bibliográficas →


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