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Complexo de Vitamina B, VRNs e a sua relação com o cérebro

Complexo de Vitamina B, VRNs e a sua relação com o cérebro

Por Dr.ª Carina Tomás | Farmacêutica Biovip

 

O cérebro é o órgão mais metabolicamente ativo, representando mais de 20% do consumo energético total do corpo humano. Os efeitos globais do complexo de vitamina B são particularmente prevalentes em numerosos aspetos da função cerebral, incluindo a produção de energia, síntese e reparação de ADN e síntese de numerosos neuroquímicos.

 

Embora a maioria das vitaminas seja sintetizada por plantas, são frequentemente consumidas indiretamente mais acima na cadeia alimentar através de produtos de origem animal, como acontece com as vitaminas do complexo B. O complexo de vitamina B é constituído por um grupo de 8 vitaminas que têm um papel essencial a nível da função celular, atuando como coenzimas numa série de reações enzimáticas.

 

Denominações das Vitaminas B:

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A conversão de Provitamina (Tiamina ou Vitamina B1) à forma ativa requer magnésio como cofator. A forma ativa é então usada no metabolismo de energia e participa nas reações de produção de acetilcolina, mielina, glutationa e ácidos nucleicos e ainda na manutenção de glutamato, aspartato e GABA. A sua carência pode causar beriberi (doença que afeta os nervos periféricos) e problemas mentais como confusão e perda de memória de curto prazo. Está presente em arroz e cereais integrais, carne de porco e aves, grãos de soja, feijões, ervilhas e frutos secos. A ingestão de alimentos não interfere com a absorção de tiamina por suplementação oral, estando esta contraindicada em indivíduos alérgicos.

 

A Vitamina B2 está envolvida no metabolismo de macronutrientes e na produção de outras vitaminas do complexo B e de glutationa. Encontra-se na carne, leite, peixes gordos e vegetais verdes, sendo também produzida em pequena parte por bactérias intestinais. O consumo e suplementação com riboflavina raramente apresenta efeitos secundários. No entanto, doses farmacológicas repetidas poderão reagir com a exposição à luz e levar a efeitos citotóxicos.

 

A Vitamina B3 é necessária para adequados metabolismo e função celular, estando indicada como terapêutica na dislipidémia. A carência de niacina pode levar a pellagra, que entre outros sintomas causa confusão mental e eventualmente demência. Pode ser encontrada no farelo, fermento, ovos, amendoins, carne vermelha e de aves, peixe, cereais integrais, legumes e sementes. Poderá causar náusea, vómitos, diarreia, hiperglicémia, rubor, visão turva, tonturas e palpitações, estando contraindicada em indivíduos com úlcera péptica, doença hepática ou reações de hipersensibilidade.

 

O Ácido Pantoténico (Vitamina B5) tem um papel chave no metabolismo de hidratos de carbono, proteínas e lípidos e está envolvido na manutenção e reparação de células e tecidos e na síntese de hormonas, anticorpos e neurotransmissores, podendo a sua carência causar parestesias, fadiga e irritabilidade. Está presente em cogumelos, legumes e lentilhas, abacate, leite, ovos, couve, fígado e rins, batata, cereais integrais e fermento. Não tem interações conhecidas, não se recomendando em caso de hemofilia, colite ulcerosa e obstrução gastrointestinal.

 

Metabolizada na mitocôndria, a Piridoxina (Vitamina B6) é clinicamente importante no tratamento de sobredosagens e envenenamento por algumas substâncias. A falta de vitamina B6 pode causar depressão e confusão entre outros sintomas neurológicos como a epilepsia. É encontrada em carne, peixe, frutos secos, feijões, cereais, frutas e vegetais. A suplementação excessiva por períodos prolongados pode resultar em neuropatias e disfunção da coordenação, assim como fotossensibilidade, distúrbios gastrointestinais e dermatológicos.

 

A Vitamina B7 é cofator para enzimas localizadas no cérebro, rins, coração e fígado. Encontra-se em pequenas quantidades nos ovos, fígado, couve-flor, salmão, cereais integrais, fermento, cenoura, farinha de soja, frutos secos, leite e bananas. Sem contraindicações conhecidas.

 

O Ácido Fólico (síntese química), ou Vitamina B9, é largamente utilizado em pré-mamãs para prevenção de defeitos do tubo neural em bebés, no tratamento de anemia e na redução dos níveis de homocisteína. Está presente em amendoins, ervilhas, feijões, frutas, vegetais e fígado. A suplementação com vitamina B9 pode mascarar sintomas de carência de vitamina B12 pois pode corrigir a anemia mas não os danos nervosos, enquanto que doses elevadas poderão causar naúseas, gases, insónias e cancro colorectal, entre outros. Poderá ainda interagir com alguns medicamentos antiepiléticos, sulfassalazina e metotrexato.

 

A Cianocobalamina (Vitamina B12), uma vez absorvida, é utilizada como cofator para enzimas envolvidas na síntese de ADN, ácidos gordos e mielina, sendo por isso a sua deficiência ligada a sintomas hematológicos e neurológicos, indicada na doença celíaca e de Crohn. A sua absorção intestinal também diminui com a idade, causando défices cognitivos como a perda de memória e neuropatia periférica. É derivada de produtos de origem animal como a carne, ovos e lacticínios. Contraindicado em caso de hipersensibilidade.

 

Existe uma ideia pré-concebida de que as populações de países desenvolvidos têm uma nutrição adequada - devido em parte à promoção de Valores de Referência do Nutriente (VRN) - e como tal, livres de carências em micronutrientes essenciais. Os VRN são baseados em estatísticas que estão sujeitas a muitas variáveis difíceis de contemplar, como a idade, o género, a etnia, polimorfismos genéticos, disfunções endócrinas e exercício físico praticado, colocando em causa a existência de uma população “padrão”.

 

Sendo hidrossolúveis, as vitaminas do complexo B em excesso são excretadas pela urina, o que significa que são em geral seguras em doses acima do VRN, embora também tenham que ser consumidas consistentemente. Embora as vitaminas do complexo B possam ser obtidas através de uma dieta saudável, é possível que parte da população tenha níveis subótimos de uma ou mais, que as predisponha a consequências negativas de saúde, nomeadamente a nível da função cerebral, que podem variar entre fadiga e confusão a parestesias e neuropatias.

 

Bibliografia

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