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Dia Mundial da Atividade Física – Entrevista com Maria Monteiro

Dia Mundial da Atividade Física – Entrevista com Maria Monteiro

Hoje, dia 6 de Abril, comemora-se o Dia Mundial da Atividade Física e, para abordar o assunto neste momento de distanciamento social, fizemos uma entrevista à atleta e profissional do exercício físico Maria Monteiro. Licenciada em Ciências do Desporto, instrutora de Crossfit e atualmente dona da sua própria box - Sal Crossfit, Maria respondeu a várias questões relativas à importância da prática de atividade física, seja ela de que tipo for.

Biovip: Pela sua experiência enquanto profissional do exercício físico, considera que nos últimos anos os portugueses estão mais ou menos ativos?

Maria: Pela minha experiência, verifico que os cidadãos estão mais sensibilizados e informados para a importância e benefícios da prática regular de exercício físico; apesar disto, continuam a ser pessoas sedentárias e pouco ativas. É frequente ouvir expressões como: “não tenho tempo”, “sozinho não consigo”, “não tenho motivação”. São estas atitudes e mentalidades as principais barreiras para começar a adquirir hábitos de vida saudáveis.

Segundo os dados estatísticos, os portugueses estão menos ativos. 74% da população com 15 ou mais anos afirma que raramente ou nunca praticou exercício. É também esta faixa etária que tem uma percentagem elevada de casos com excesso de peso e obesidade. Apenas 5% da população pratica regularmente exercício físico (valor inferior da média europeia).

B: Pensa que isso tem influência ao nível da saúde e mortalidade da população em geral?

M: Sem dúvida. Se não houver uma mudança no estilo de vida, nomeadamente no que diz respeito à prática de exercício físico, o aparecimento de complicações como, por exemplo, a obesidade ou excesso de peso (que afeta 67% da população portuguesa) são inevitáveis.

Essas complicações dão origem a doenças crónicas: doenças cardiovasculares, cancro, diabetes, entre outras. A prevenção é a única forma de travarmos estas doenças. Enquanto a população não entender que deve investir na prática de exercício físico e, consequentemente, na sua saúde, a taxa de mortalidade não diminui e os problemas e encargos com a saúde continuam.

B: Na sua perspetiva, quais são os principais motivos para o sedentarismo da população?

M: Muitos fatores contribuem para o sedentarismo: a falta de tempo e motivação, a falta de orientação, sentimentos de vergonha ou incapacidade e a simples ausência de conhecimento das vantagens e benefícios em ser ativo. O ritmo alucinante em que vivemos e as novas tecnologias são um fator preponderante. As pessoas passam muito tempo do seu dia em frente a um ecrã, deixando de sair para atividades desportivas. É mais fácil e mais cómodo estar sentado no sofá “a ver os outros” a fazer exercício.

B: Nesta fase de distanciamento social, em que devemos permanecer em casa para nosso bem e para bem dos outros, e em que os ginásios e locais de desporto estão encerrados, considera possível manter a prática de atividade física?

M: Sim, claro que sim. Os estabelecimentos desportivos estão encerrados, mas os profissionais não estão parados. Esta fase de distanciamento veio criar aos profissionais do exercício e ao mundo do fitness uma necessidade de se reinventarem.

Manter a atividade é fundamental para uma boa saúde e condição física. Assim, a maioria dos profissionais disponibilizam conteúdos online: exercícios, vídeos explicativos e estratégias para combater a inatividade durante este período. A oferta de programas de exercício neste período de distanciamento é muita. É caso para dizer que só não faz exercício quem não quer. No entanto, uma chamada de atenção para quem não fazia exercício e de repente faz todos os dias, e às vezes mais que uma vez ao dia: isso pode não ser bom e trazer alguns problemas, como, por exemplo as lesões desportivas, fruto da fadiga ou de más posturas. Portanto, exercício sim, mas devidamente orientado e acompanhado por um profissional da área.

B: Em relação à alimentação, considera uma fração importante na vida do atleta, tanto ao nível da saúde como da performance? E em relação à suplementação, poderá ser benéfico o atleta consumir suplementos alimentares?

M: Sim. A nutrição de qualquer atleta revela-se essencial para o sucesso da prática desportiva. Uma nutrição adequada torna-se ainda mais importante quando falamos em treinos de alta intensidade, como é o caso do Crossfit, em que sem um adequado aporte nutricional o atleta pode ter a perfomance prejudicada.

A melhor forma de otimizar a performance do atleta consiste num equilíbrio dinâmico: entre um treino planeado, descanso adequado, timing de ingestão de nutrientes, um adequado equilíbrio entre o aporte e o consumo de calorias e uma dieta nutricionalmente completa.

Em relação à suplementação, como o próprio nome indica, deve ser sempre um suplemento daquilo que é fundamental - uma alimentação equilibrada e adequada ao tipo de vida e de treino. Contudo, caso não nos consigamos organizar de forma a ter os macro e micronutrientes certos nas horas certas, os suplementos são uma boa opção para conseguirmos manter os aportes diários.

Entenda a importância da atividade física para a saúde e qualidade de vida

De acordo com dados do Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física (IAN-AF) de 2017, 43% dos portugueses com mais de 14 anos foram considerados sedentários e apenas 27% ativos, sendo que este nível de atividade tende a diminuir com a idade. Estas percentagens estão em linha com os valores de prevalência de excesso de peso (34,8%) e obesidade (22,3%) a nível nacional, também superior nos idosos, apresentados no mesmo relatório. Estes valores corroboram a opinião e a própria experiência prática apresentada pela entrevistada.

Existem evidências incontestáveis de que a atividade física regular contribui para a prevenção primária e secundária de várias doenças crónicas como doença cardiovascular, osteoporose, cancro e diabetes mellitus tipo 2, ou seja, mesmo quando a doença já está instalada, a atividade física pode melhorar o seu prognóstico. Estes benefícios revelam-se mesmo com volumes baixos de atividade. A prevenção dessas doenças ocorre porque o exercício melhora vários parâmetros como a composição corporal, o fluxo sanguíneo, o perfil lipídico, a sensibilidade à insulina e homeostase da glicose e reduz a pressão arterial e a inflamação sistémica, para além das melhorias ao nível do estado psicológico.

A atividade física revela-se importante nas várias faixas etárias e fases da vida. Nos idosos, poderá representar uma estratégia para reduzir o risco de morbilidade e mortalidade e atrasar os efeitos do envelhecimento fisiológico, mas também auxiliar no aumento da noção de propósito na vida, com ganho de novas rotinas e realizações pessoais e criação de conexões sociais significativas, trazendo, portanto, melhorias significativas na qualidade de vida. A prática de exercício físico moderada também é um fator adjuvante para o sistema imunitário na proteção contra infeções. Durante o envelhecimento é natural existir uma desregulação imunológica e o exercício físico é capaz de melhorar a regulação do sistema imunitário e retardar esse evento.

Nas camadas mais jovens também é importante a prática de atividade física, não só pelos motivos apresentados anteriormente e pelo facto de nesta altura se desenvolverem os gostos, hábitos saudáveis e apetências físicas, mas também pela sua forte componente psicossocial.

Outra fase da vida em que a manutenção da atividade física pode ser crucial é na mulher grávida e no pós-parto. Desta forma, haverá menor ganho de peso durante esta fase e, no pós-parto, uma volta mais rápida à composição corporal habitual. Para além disto, existe menor risco de diabetes gestacional e de depressão pós-parto, sendo o risco de macrossomia do bebé também diminuído.

Periodicidade recomendada para o exercício físico

A Organização Mundial de Saúde indica recomendações mínimas de prática de atividade física por faixa etária. As crianças devem praticar exercício físico de intensidade moderada de 60 minutos por dia e os adultos 150 minutos por semana ou de intensidade mais elevada de 75 minutos por semana. Em idosos com condições patológicas que os impedem de praticar o volume de atividade física recomendada, é indicado que devem ser tão ativos quanto possível. Assim sendo, deve ser uma tarefa política e social promover as condições que permitam a realização de programas de exercícios para toda a população, principalmente para os idosos e as crianças.

Atenção aos hábitos alimentares

Como já sublinhado por Maria Monteiro, a alimentação é uma vertente de relevo na prática desportiva. A alimentação equilibrada e completa deve estar na base de uma vida saudável, mas sempre de mãos dadas com a prática planeada de exercício físico e descanso adequado, uma vez que estes se complementam.

Um atleta tem naturalmente as suas necessidades energéticas aumentadas e maiores necessidades de proteína, hidratos de carbono, micronutrientes e água. Estas necessidades variam de acordo com o tipo de atividade física, intensidade, tempo e composição corporal do indivíduo.

A ingestão proteica deve ser superior porque há maiores perdas pelo suor, há necessidade de substituir as proteínas danificadas pelo exercício físico (músculos, tendões, ligamentos) e há construção de massa muscular. Os hidratos de carbono vão permitir a manutenção da glicémia estável e evitar a fadiga precoce durante a atividade física, repor as perdas de glicogénio muscular e melhorar a performance.

As vitaminas e minerais têm funções importantes em várias estruturas do organismo, mas no atleta têm relevância principalmente na construção e reparação de tecido muscular. As suas necessidades estão aumentadas pois há perdas superiores em exercícios intensos. A sua ação antioxidante promove a rápida recuperação muscular e auxilia na prevenção de lesões. Devido à transpiração também há grandes perdas hídricas e de eletrólitos, sendo que a ingestão de água é crucial na sua reposição e na manutenção das funções do organismo, principalmente da função cardiovascular.

Suplementos alimentares

A suplementação alimentar poderá ser um adjuvante na saúde e na performance principalmente em alguns desportos de maior intensidade, revela a nossa entrevistada. Ao nível da suplementação, têm sido estudados principalmente os efeitos da creatina, proteína e cafeína na performance desportiva e de outros como curcumina e vitaminas e minerais com efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios na diminuição da dor e recuperação pós exercício físico.

Comece hoje!

Se ainda faltam argumentos que convençam uma pessoa sedentária a transformar já o seu estilo de vida, finalizamos com um lema utilizado por Maria: “Amanhã é o segundo melhor dia para iniciar a prática de atividade física”. Por isso, comece hoje. Não deixe para amanhã a adoção de um estilo de vida saudável!


Autoria: Beatriz Curado | Nutricionista (3020NE)
Referências Bibliográficas


 

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