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Fitoterapia: a evolução e a importância do uso de plantas para fins terapêuticos

Fitoterapia: a evolução e a importância do uso de plantas para fins terapêuticos

A Fitoterapia enquanto prática que faz uso de plantas para fins terapêuticos desempenha um papel de grande importância para a manutenção das condições de saúde da população. Não só está perfeitamente comprovada a acção terapêutica de várias plantas utilizadas popularmente, a utilização de plantas medicinais de forma apropriada vem ao encontro das proposições da Organização Mundial de Saúde (OMS), que reconhece esta prática como recurso terapêutico muito útil nos programas de cuidados primários de saúde, podendo ter um papel profiláctico na saúde das populações.


A evolução da Fitoterapia

A fitoterapia tem as suas raízes na tradição – numa vasta herança de conhecimento empírico utilizado e difundido pelas populações ao longo de várias gerações.

A história do uso de plantas medicinais tem mostrado que estas fazem parte da evolução humana e foram os primeiros recursos terapêuticos utilizados pelos povos. Nas referências históricas sobre plantas medicinais, podemos verificar que existem relatos do seu uso em praticamente todas as antigas civilizações. Uma das primeiras referências escritas sobre o uso de plantas como remédio é encontrada na obra chinesa Pen Ts’ao (“A Grande Fitoterapia”), de Shen Nung, que remonta a 2800 a.C.

Já em 2000 a.C., no Egipto, antigos papiros mostram que um grande número de médicos utilizava as plantas como remédio. No Papiro Ebers, que data de cerca de 1500 a.C., foram mencionadas cerca de 700 drogas diferentes, incluindo extractos de plantas, metais como chumbo e cobre, e venenos de animais de várias proveniências. Neste mesmo papiro, mencionam-se ainda fórmulas específicas para doenças conhecidas e, entre as espécies que aparecem na lista, estão incluídas algumas ainda hoje utilizadas por fitoterapeutas.

Hipócrates (460-377a.C.), conhecido como o “Pai da Medicina”, reuniu na sua obra “Corpus Hipocratium” os conhecimentos médicos do seu tempo, indicando para cada “enfermidade” o “remédio vegetal” e tratamento adequado.

Apesar da utilização de plantas na preparação de “drogas” por vultos importantes da história da medicina como Galeno ou Avicena, foi a partir do século XIX que a fitoterapia teve maior avanço devido ao progresso científico na área da química, o que permitiu analisar, identificar e separar os princípios ativos das plantas.

Por outro lado o novo paradigma de conhecimento introduzido pelo avanços científicos em geral, e na química em particular, levou a alterações radicais na percepção geral do valor das plantas medicinais e do conhecimento empírico tradicional.

Só a partir dos anos 60 do séc. XX é que timidamente se assiste a um renovado interesse em fitoterapia, surgindo novas pesquisas e novas formas farmacêuticas mais elaboradas como comprimidos, cápsulas, nebulizadores, etc.

Enquanto a utilização no passado era feita na maioria das vezes de forma empírica, podemos hoje em dia identificar os componentes activos de cada planta e com a nova compreensão da fisiologia humana, explicar porquê e como estas plantas funcionam. Esta aplicação da ciência moderna à medicina à base de plantas foi denominada Fitoterapia.

Assim, durante séculos, os “herbalistas” souberam empiricamente as plantas correctas a serem usadas para doenças. Por exemplo, a Equinácea é usada há muito tempo para a febre e resfriados, enquanto a Ginkgo biloba é usada para a memória. Com a evolução da Fitoterapia e através dos avanços científicos, é hoje possível isolar muitos dos componentes activos e outros constituintes destas plantas, o que permite um conhecimento fundamentado dos seus efeitos. Sabemos que os componentes activos da Equinácea (equinacósidos e equinacinas) promovem um aumento da produção de linfócitos e macrófagos (células do sistema imunitário) e estimulam desta forma o sistema imunitário. Por outro lado a Ginkgo biloba tem acção vasodilatadora das artérias e antiagregante plaquetar devido aos constituintes que foram denominados ginkgólidos.



Importa porém referir que nem todos os mecanismos de acção dos componentes das plantas são integralmente compreendidos. É virtualmente unânime o reconhecimento que o caminho a percorrer nesta área é ainda muito longo, não só pela quantidade de plantas e de princípios activos cuja acção se desconhece como pela acção sinérgica com que parecem actuar os diferentes constituintes das planta e cuja complexidade desafia as elites da investigação.

Actualmente, um dos caminhos habitualmente utilizados no desenvolvimento de produtos de saúde à base de plantas, incluindo medicamentos à base de plantas, é a Etnobotânica. A Etnobotânica tem em conta os conhecimentos de utilização de plantas por determinadas populações, através do seu uso tradicional. Esta ciência examina plantas que são usadas na medicina étnica e confia no relacionamento entre o investigador do mundo Ocidental e o fornecedor de informação a nível tradicional, normalmente em países menos desenvolvidos.

O uso de plantas medicinais teve desde cedo um papel importante como arma para a redução de inúmeras doenças, tendo até hoje um lugar significativo na sociedade moderna e no tratamento das doenças.

Um estudo de 2014 que examinou a investigação e registo de novos medicamentos no EUA desde os anos 40’ revela que só na área do cancro, 49% das novas moléculas pequenas aprovadas eram de origem natural ou directamente derivadas de origem natural, e que entre 1981 e 2014, 10% delas são de origem botânica.



O lugar da fitoterapia na medicina moderna

É necessário definir onde a Fitoterapia pode ajudar na manutenção da saúde. Enquanto terapia complementar não pode ser vista como adversária, substituta ou mesmo alternativa à medicina tradicional mas antes como aliada que complementa, potencia ou auxilia as suas terapias convencionais. Existem muitos exemplos na medicina em que as terapias tradicionais podem beneficiar seja por via da prevenção ou da eficácia dos tratamentos como em termos de melhoria do bem estar do paciente. É desta forma que as terapias complementares tendem a ser uma opção, e com elas, a área da Fitoterapia.

Como já se percebeu, a fitoterapia moderna combina medicina tradicional à base de plantas com os resultados da investigação mais avançada em plantas medicinais e está aberta à inovação.

O aumento do consumo de produtos fitoterápicos também pode ser associado ao facto de que cada vez mais abertamente se questionar os perigos do uso abusivo e irracional de produtos farmacêuticos de síntese que podem ter efeitos secundários bastante sérios e procuram substituí-los por plantas medicinais. A comprovação da acção terapêutica também favorece essa dinâmica.



Garantia de Qualidade

Hoje em dia a fitoterapia deixou de se fundamentar no seu uso tradicional, passando, ao contrário do que se verificava anteriormente, a estar cada vez mais apoiada em estudos tão rigorosos como um medicamento convencional e com os mesmos critérios de qualidade, de eficácia e de segurança. Existe um conjunto de requisitos que um produto deve preencher a fim de ser aprovado para venda no mercado, e com o principal objectivo de garantir o bem-estar e segurança do consumidor.

Os pré-requisitos para garantir a qualidade num medicamento à base de plantas passam pelo processo de padronização, que começa durante o cultivo da planta fresca, continuando através de processos de produção validados para resultar num produto que contém os constituintes da planta fresca numa composição estável. Hoje em dia existe legislação própria que regula a produção dos diferentes produtos de saúde à base de plantas.


O que é natural… Faz mal?

O uso de plantas com fins terapêuticos sem orientação apropriada é um factor de preocupação que deve ser considerado pelos profissionais de saúde, bem como por todos os envolvidos na educação para a saúde, dada a incidência de espécies com registo de toxicidade e contra-indicações na sua utilização. Assim, o risco de intoxicação causada pelo seu uso indevido deve ser sempre levado em consideração. O cuidado nas dosagens prescritas e o cuidado na identificação precisa do material utilizado podem evitar uma série de acidentes.

A falsa ideia de que tudo o que é “natural é bom” ou, como tantas vezes dito, de que “planta não faz mal à saúde”, deve ser esclarecida pelos profissionais de saúde na comunidade. A partir do cruzamento de informação obtida com dados bibliográficos pode concluir-se que grande parte das plantas, citadas como de uso terapêutico em diversas populações, apresenta algum tipo de toxicidade ou contra-indicação de uso em determinados grupos populacionais.

A ausência de informação sobre algumas plantas não significa necessariamente ausência de toxicidade ou contra-indicação, mas pode sim, estar associada à falta de estudos a esse respeito.

As preparações à base de plantas apesar de "naturais" não são inofensivas. Os seus possíveis efeitos negativos geralmente são devidos às características farmacológicas e às dosagens dos seus constituintes activos. Os medicamentos ou as preparações à base de plantas podem ser potencialmente tóxicos se utilizados incorrectamente e como substitutos de medicamentos convencionais. Desta forma, tanto os utilizadores como médicos ou outros profissionais de saúde devem estar habilitados para fazer a melhor avaliação risco-benefício antes de usar ou aconselhar qualquer medicamento ou produto à base de plantas.

A utilização de produtos de saúde derivados de plantas é complexa porque resulta de uma interacção entre numerosos componentes criando o efeito global de um único extracto. Desta forma a escolha e utilização racional e ponderada é uma vantagem enorme na manutenção da saúde e na prevenção de uma série de problemas de saúde, conduzindo a uma menor incidência de patologias minor e que causam um grande impacto na saúde e economia globais.

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