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Há muito que a acne deixou de ser um problema exclusivo dos adolescentes

Há muito que a acne deixou de ser um problema exclusivo dos adolescentes

Desde há vários anos que a acne passou a ser uma perturbação cutânea também dos adultos, nomeadamente das mulheres, principalmente entre os 30 e 40 anos. Quantas são aquelas mulheres que pelo menos visualizam uma borbulha a aparecer uns dias antes da menstruação? Esta problemática intensifica-se quando estamos perante uma pele com características oleosas.

As peles oleosas são caracterizadas por uma excessiva produção e secreção sebáceas de forma mais ou menos contínua e frequente. As peles oleosas apresentam maior propensão para o aparecimento de acne, inflamações e problemas associados à acumulação de resíduos.

A pele do rosto, devido à sua exposição constante ao ambiente externo, necessita de cuidados específicos não sendo a pele oleosa ou com imperfeições uma excepção. Assim, as necessidades de uma pele oleosa e/ou com imperfeições passam por:

  1. Eliminar o excesso de sebo sem irritar a glândula sebácea;
  2. Corrigir a dilatação dos poros;
  3. Normalizar a secreção sebácea utilizando emulsões que restabeleçam o equilíbrio hidrolipídico;
  4. Equilibrar a flora microbiana cutânea;
  5. Inibir a formação de comedões escolhendo, por exemplo, extractos de plantas contendo constituintes absorventes, anti-inflamatórios e reparadores;
  6. Não usar maquilhagem que obstrua os orifícios pilossebáceos e favoreçam a formação de comedões;
  7. Evitar a exposição prolongada ao sol, pois, embora pareça melhorar inicialmente, acaba por agravar a condição;

Desta forma, os objectivos para o cuidado de uma pele oleosa passam pelo controlo do excesso de produção e secreção sebácea, diminuição dos sinais de pele oleosa e protecção da pele contra o aparecimento de lesões de acne.

Epidemiologia e factores psicológicos impostos por uma pele oleosa e acneica

A existência de pele oleosa é comum, afectando tanto homens como mulheres, aparecendo tipicamente na puberdade. Este tipo de pele tem um aspecto brilhante e oleoso, sendo frequentemente acompanhada por poros dilatados.

A acne é uma condição extremamente comum que afecta cerca de 80-90% de adolescentes e jovens adultos. Geralmente começa na infância tardia ou no início da adolescência, mas em alguns indivíduos pode surgir por volta dos 20 ou 30 anos. O impacto psicológico e económico da acne é enorme sendo que a prevalência em adolescentes varia entre 16-80%, dentro dos quais os rapazes são ainda mais propensos a serem afectados.

A acne adulta, embora menos comum do que a acne adolescente, continua a ser um problema significativo para 3-6% dos homens adultos e até 20% das mulheres adultas bem na faixa etárias entre os 30 e 40 anos.

Além do impacto económico, a acne também tem um impacto psicológico significativo tanto em adolescentes como adultos. A acne pode ser difícil de lidar, independentemente da idade, e pode causar depressão e ansiedade social num adulto da mesma forma que o pode fazer no adolescente. Alguns estudos revelaram que os pacientes com acne relatam níveis de problemas sociais, psicológicos e emocionais tão grandes quanto aqueles relatados por doentes com outras patologias incapacitantes. Neste campo, a acne do adulto tende a causar um maior transtorno emocional, já que não é considerada uma afecção característica desta faixa etária.

A pele oleosa

A glândula sebácea, graças à sua actividade holócrina, excreta uma mistura complexa de lípidos (sebo) na superfície da pele. O sebo dos adultos é composto por 57.5% de triglicéridos e por produtos da sua hidrólise, 26.0% de ésteres de cera, 12.0% de esqualeno, 3.0% de ésteres de colesterol e 1.5% de colesterol. Entre estes, o esqualeno e os ésteres de ceras são únicos no sebo humano e não conseguem ser encontrados noutras zonas do corpo a não ser nos lípidos de superfície da epiderme.

O sebo tem inúmeras funções na pele humana. Estas funções passam pela distribuição e disponibilização de substâncias antioxidantes na própria pele e por uma protecção contra a invasão de microrganismos. O sebo cobre a epiderme como um manto, representando a última barreira do organismo contra as agressões externas de carácter oxidativo. Acredita-se que este manto sebáceo é o responsável pela cedência de substâncias de caracter lipídico com a vitamina E e a coenzima Q10 (CoQ10), de acção protectora e antioxidante.

O esqualeno é o primeiro lípido alvo de agressões a nível oxidativo na pele, tais como as agressões por radiação solar. Desta forma, a radiação UV é a responsável por reacções oxidativas que transformam o esqualeno em substâncias de carácter altamente oxidativo. Sabe-se que a mesma intensidade de radiação, quando aplicada a uma pele livre de substâncias antioxidantes como a vitamina E ou a CoQ10, leva a uma depleção de mais de 90% de esqualeno, o que leva a concluir que a presença destas substâncias a nível da superfície da pele é fundamental para a preservação e equilíbrio dos lípidos cutâneos da pele.

A regulação das glândulas sebáceas

As glândulas sebáceas encontram-se bastante desenvolvidas nos recém-nascidos, no entanto o seu tamanho decresce algumas semanas após o nascimento, voltando a atingir o pico na adolescência. A taxa de secreção sebácea é máxima entre os 15 e os 25 anos, decrescendo ao longo da idade adulta. Apesar da secreção sebácea diminuir com o aumento da idade, as glândulas sebáceas vão aumentando de tamanho. Este fenómeno consegue explicar o facto de ser possível observar poros mais dilatados numa pele mais envelhecida.

Os sebócitos, por sua vez, são as células responsáveis pela produção de sebo, encontrando-se estas nas glândulas sebáceas. São estas glândulas que quando estimuladas produzem quantidades consideráveis de sebo, quer na puberdade, quer quando activadas por substâncias de caracter andrógeno. A testosterona e a 5-alfa-Dihidrotestosterona (5α-DHT) estimulam a proliferação dos sebócitos faciais de forma dose-dependente. Esta acção está também dependente da região da pele, sendo que os sebócitos presentes no rosto são muito mais susceptíveis à acção das substâncias andrógenas. A conversão de testosterona em 5α-DHT (a forma de testosterona com maior responsabilidade na produção de sebo) é da responsabilidade da enzima 5α-reductase.

Apesar de conhecida a influência androgénica na produção sebácea, o papel dos estrogénios não está ainda bem definido. Sabe-se, no entanto, que a dose de estrogénio necessária para diminuir a produção de sebo é maior do que a dose necessária para inibir a ovulação. Por esta razão, algumas das abordagens no tratamento de acne passam pelo reforço dos níveis de estrogénio.

No entanto, não são apenas as substâncias de carácter androgéno que estimulam a proliferação de sebócitos. Foi comprovado que a hormona estimulante da tiróide (TSH), a hidrocortisona e, especialmente, a insulina são responsáveis por essa estimulação de uma forma dose-dependente.

Por outro lado, a cor da pele tem também um grande impacto na secreção sebácea. Indivíduos de pele negra apresentam poros mais dilatados e glândulas sebáceas de maior volume, o que contribui para o aumento da secreção de sebo.

Relativamente às condições atmosféricas, está provado que apenas o aumento de 1ºC produz um aumento na taxa de excreção de sebo na ordem dos 10%. Neste caso, não é propriamente a produção de sebo que aumenta, mas sim a sua secreção, dado que para que ocorra uma produção de sebo são necessários aproximadamente 7 dias, e estas alterações de temperatura podem causar alterações na secreção apenas em 90 minutos. Desta forma, é no verão que se observa a maior fase de secreção sebácea.

A acne

Apesar de todos os aspectos positivos relacionados com a presença de sebo na pele, o seu excesso bloqueia os poros levando à propagação da bactéria causadora de acne, a Propionibacterium acnes.

Além do aumento da taxa de produção e secreção sebácea em casos de acne, ocorre também uma modificação na composição qualitativa e quantitativa do sebo. O sebo participa activamente na formação de comedões, que representam nada mais, nada menos que corneócitos acumulados no ducto pilossebáceo.

Podem ser consideradas quatro etapas básicas na formação de Acne: hiperproliferação epidérmica folicular; excesso de produção de sebo; inflamação; e presença e actividade de Propionibacterium acnes (P. acnes).

1.    Hiperproliferação epidérmica folicular

A hiperproliferação epidérmica folicular resulta na formação da lesão primária de acne, chamada de microcomedão. O epitélio do folículo piloso superior, o infundíbulo, torna-se hiperqueratótico com aumento da coesão dos queratinócitos. O excesso de células e sua aderência resultam numa agregação e crescimento de uma massa no óstio folicular (zona do poro cutâneo). Esta massa é constituída por queratina, sebo e bactérias, que acabam por se acumular no folículo, conduzindo então ao aparecimento do microcomedão.

2.   Excesso de produção de sebo

A segunda característica chave na patogénese da acne é o excesso de produção de sebo da glândula sebácea. Assim, na presença de quantidades consideráveis de triglicerídeos, a P. acnes da flora normal da unidade pilossebácea produz ácidos gordos livres que aumentam os fenómenos comedogénicos.

3.   Inflamação folicular e dérmica subjacente

Os microcomedões continuam a aumentar de tamanho devido aos resíduos de queratina, sebo e bactérias densamente compactadas. A determinada altura, esse aumento de tamanho conduzirá à ruptura da parede folicular. A extrusão de queratina, sebo e bactérias na derme resulta numa resposta inflamatória bastante rápida e intensa.

4.   Presença e actividade de Propionibacterium acnes (P. acnes)

P. acnes tem também um papel muito importante no decorrer do processo inflamatório. Trata-se de uma bactéria gram-positiva microaeróbia encontrada no folículo sebáceo.

Adolescentes com acne apresentam uma maior concentração de P. acnes comparativamente com os que não têm acne. No entanto, não há correlação entre o número destas bactérias presentes no folículo e a gravidade da acne. A parede celular destas bactérias contém um antigénio rico em hidratos de carbono que estimulam o desenvolvimento de anticorpos.

A influência da dieta na produção de sebo

A dieta pode ser uma importante fonte de substrato para a síntese de sebo que ocorre nas glândulas sebáceas, com recurso a várias fontes - por exemplo, glicose, acetato e ácidos gordos.

As dietas ricas em glúcidos estão associadas a hiperglicemia, hiperinsulinémia reactiva e aumento da formação de factor de crescimento da insulina-1 (IGF-1). Com excepção do queijo, o leite e todos os produtos lácteos possuem potentes propriedades insulinotrópicas, muito superiores aos esperados, pois possuem baixos índices glicémicos. Os níveis de insulina e IGF-1 alcançam um pico durante a puberdade e diminuem gradualmente até a terceira década de vida. A insulina e o IGF-1 estimulam, então, a lipogénese na glândula sebácea, assim como também a produção de androgénios e o seu metabolismo periférico.

Muito curiosa é a diminuição das quantidades de zinco sérico nos portadores de acne (85% do tipo inflamatória). Postulou-se, então, que isso poderia diminuir a capacidade de diferenciação epitelial, aumentar a produção sebácea e diminuir a resposta imune cutânea (20% do zinco está na pele), contribuindo para a gravidade etiopatogénica da acne. Acredita-se que uma suplementação com zinco favoreça a conversão dos ácidos gordos essenciais em substâncias anti-inflamatórias, decisivas na evolução clínica da acne. As fontes alimentares onde pode obter zinco são: alho, ostras e camarão, carnes brancas, leite e iogurte, grão de bico, sementes de abóbora, amendoins, caju e castanha do Pará.

No que concerne aos indivíduos com acne, um estudo de 12 semanas em indivíduos com uma dieta pobre em glúcidos mostrou uma melhoria significativa na sensibilidade à insulina e também na concentração de testosterona. Por outro lado, e relativamente ao consumo de gorduras, alguns estudos indicam que apenas o consumo de gorduras monoinsaturadas(encontradas, por exemplo, nas azeitonas), conduzem a uma hiperqueratinização e a uma hiperplasia epidérmica, semelhante ao que acontece na formação de comedões.

Um outro estudo, desenvolvido em indivíduos obesos submetidos a jejuns por períodos de 4-8 semanas, concluiu que a libertação de sebo pelas glândulas sebáceas reduziu em média 40%. Esses dados podem indicar que a composição e a quantidade de alimentos poderiam, quando alteradas significativamente, produzir uma variação mensurável no produto das glândulas sebáceas.

E o chocolate? Há relação?

Alguns estudos relativos à influência do consumo de chocolate e alterações a nível da produção de sebo revelaram que o chocolate não altera a composição do sebo, no entanto, pode observar-se um aumento na sua produção.

Assim...

Conhecendo os factores que conduzem ao desenvolvimento de acne, é possível actuar sob várias perspectivas, tendo como objectivo comum alcançar uma pele saudável, livre de imperfeições.

A escolha dos cosméticos adequados ao tipo de pele é fundamental, sendo um factor chave no controlo da produção sebácea e modificação dos factores que conduzem ao aparecimento de acne. Desta forma, os cosméticos mais adequados à utilização em pele oleosa devem ser enriquecidos com activos com a capacidade de:

  • Controlar a produção e secreção sebácea;
  • Conduzir a uma diminuição do tamanho dos poros;
  • Controlar a proliferação de microrganismos responsáveis pelas lesões de acne;
  • Diminuir a inflamação e a vermelhidão do rosto.

A limpeza deste tipo de pele é um factor decisivo para a manutenção da sua saúde e, desta forma, é um passo que não deve ser descurado. A utilização de produtos de limpeza, de manhã e à noite, eficazes, mas sem detergentes agressivos, é fundamental, sendo os produtos em gel os favoritos, por oferecerem uma sensação de frescura e limpeza às pele oleosas e/ou acneicas. A utilização de um tónico com activos que actuem na renovação da pele e com propriedades adstringentes é também importante para reduzir a dilatação dos poros, uma problemática constante na pele oleosa.

Os cuidados de uma pele oleosa devem passar pela utilização de cremes fluidos de acção purificante, matificante (redutora de brilho) e livres de ingredientes que possam incrementar a produção sebácea.

A conjugação destes produtos com as correcções alimentares necessárias e a adopção de um estilo de vida saudável permitem, com toda a certeza, alcançar uma pele purificada e livre de imperfeições.

Fontes Bibliográficas

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