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Prebióticos: o alimento da microbiota

Prebióticos: o alimento da microbiota

Atualmente, tem-se discutido bastante a utilização de prebióticos como suplemento alimentar. Mas o que são realmente estas substâncias e que evidência existe acerca delas?

Ao longo dos anos a comunidade científica tem tentado encontrar uma definição unânime de prebióticos. Em 2010 a Associação Científica Internacional de Prebióticos e Probióticos definiu-os como “ingredientes fermentados seletivamente que resultam em alterações específicas na composição ou atividade da microbiota gastrointestinal, conferindo benefícios na saúde do hospedeiro”.

Ou seja, existem vários tipos de microrganismos que habitam o trato gastrointestinal humano - a microbiota intestinal. A microbiota intestinal é afetada por diversos fatores endógenos e exógenos, sendo a dieta a principal fonte de energia para o crescimento e atividade destes microrganismos, particularmente as fibras dietéticas, que resistem à hidrolise pelas enzimas digestivas no intestino delgado e depois são fermentadas pela microbiota no cólon. Assim sendo, os prebióticos são capazes de estimular o crescimento ou atividade seletiva de determinado tipo de microrganismos presentes no sistema gastrointestinal, por exemplo, as Bifidobactérias e Lactobacilos, que têm sido amplamente estudadas devido ao seu potencial benéfico.

As fibras mais estudadas e utilizadas como prebióticos incluem inulina e oligossacarídeos, como frutooligossacarídeos (FOS) e galactooligossacarídeos (GOS). Os prebióticos estão presentes naturalmente em diferentes alimentos, incluindo espargos, beterraba, alho, cebola, trigo, mel, banana, cevada, tomate, centeio, soja, leite de vaca, ervilhas, feijão, etc.

Influência dos Prebióticos na Saúde

Como já foi referido, a microbiota intestinal poderá contribuir para a manutenção da saúde do hospedeiro. No entanto, a microbiota também pode ser a causa central de doenças como obesidade, síndrome do intestino irritável e doença inflamatória intestinal, quando existe um desequilíbrio da flora intestinal (disbiose). Este desequilíbrio pode dever-se à utilização de antibióticos, ao stress, ao clima, a infeção, doença, cirurgia e ao estilo de vida. Um padrão alimentar errado, mesmo de curto prazo, altera rapidamente a composição da microbiota intestinal e, neste sentido, os prebióticos poderão ser a chave, pela sua capacidade de aumentar a comunidade de microrganismos benéficos, auxiliando na redução do risco de doenças e, em alguns casos, na melhoria do estado terapêutico.

Para além disto, também os produtos de fermentação dos prebióticos, os ácidos gordos de cadeia curta (AGCC), têm efeitos benéficos no organismo. Atuam não só no sistema gastrointestinal, mas também em órgãos e sistemas mais distantes, como o sistema imunitário, sistema nervoso, sistema cardiovascular e pele. São fonte de energia, mas também apresentam outras funções fisiológicas, como a manutenção do pH intestinal, inibindo o crescimento de bactérias patogénicas sensíveis ao ambiente ácido, melhorando a função da barreira intestinal, influenciando a motilidade e reduzindo a probabilidade de cancro do cólon pela estimulação da apoptose das células cancerígenas.

Tendo tudo isto em conta, torna-se claro que os prebióticos são capazes de melhorar a qualidade de vida humana, podendo ter influência na prevenção da instalação de doenças, nomeadamente do foro gastrointestinal, de doenças cardiovasculares, de cancro e da obesidade, bem como na modulação do sistema imunitário em doenças alérgicas, no aumento da absorção de minerais como o Magnésio e o Cálcio e na redução da inflamação.

Prebióticos e Sistema Imunitário

A mucosa intestinal e a microbiota são fatores protetores contra invasões de agentes patogénicos no trato gastrointestinal. Os potenciais mecanismos pelos quais isto acontece são: a diminuição do pH do cólon devido aos produtos de fermentação dos prebióticos; os efeitos competitivos devido a limitações no número de locais de colonização; competição por nutrientes e aprimoramento do sistema imunitário. A microbiota desempenha um papel crítico na resposta e sinalização do sistema imunitário: todas as células desse sistema poderão ser influenciadas por prebióticos e pelos produtos da sua fermentação. No entanto, os mecanismos pelos quais os prebióticos poderão ser imunomoduladores ainda não são bem conhecidos.

Uma meta-análise sugeriu que prebióticos e probióticos usados concomitantemente podem ser uma intervenção eficaz para melhorar determinado tipo de anticorpos após a vacinação contra o vírus Influenza (gripe comum). No entanto, ainda não é conhecida a metodologia de ação e as estirpes envolvidas.

Prebióticos e Obesidade

A microbiota intestinal desempenha um papel fundamental na manutenção do metabolismo energético. Está demonstrado que indivíduos obesos possuem uma microbiota com composição diferente de indivíduos magros. Tem sido proposto que a microbiota poderá estar de alguma forma associada ao ganho de peso e a anomalias no metabolismo da glicose e dos lípidos, mas, por outro lado, também poderá ser um fator protetor destas patologias. Alguns estudos têm demonstrado potenciais efeitos terapêuticos dos prebióticos no peso corporal, deposição de gordura, perfil lipídico e estado de inflamação crónica, que podem levar a novas abordagens no tratamento e prevenção da obesidade e distúrbios metabólicos. No entanto, a ausência de estudos concretos, devido à complexidade da microbiota, ainda não permite a sua utilização como terapêutica ou medida preventiva neste tipo de patologias.

Prebióticos nos Idosos

A revisão da literatura sugere que os três problemas mais comuns nos idosos, nomeadamente desnutrição, obstipação e o declínio na eficiência do sistema imunitário, levando à capacidade reduzida de resistir a infeções, podem ser positivamente afetados por organismos probióticos. Desta forma, os prebióticos poderão ser benéficos, ainda que com baixa relevância, na melhoria dos movimentos intestinais e da obstipação.

Segurança e Toxicidade

Os prebióticos são substâncias capazes de modular beneficamente a microbiota, favorecendo a homeostase intestinal e a manutenção da saúde e qualidade de vida do hospedeiro devido à sua influência nos vários sistemas do organismo e, até ao momento, não existem relatos de efeitos adversos ao seu consumo, pelo que pode dizer-se que a sua ingestão é segura. No entanto, como eles têm de ser transportados até ao cólon para serem fermentados pela microbiota intestinal, alguns efeitos secundários podem surgir devido à sua osmolaridade, como diarreia, dores intestinais e flatulência.

É de ressalvar que uma alimentação e estilos de vida desadequados, bem como a polimedicação, as doenças, cirurgias e outros fatores externos podem levar a um desequilíbrio na flora intestinal e serem promotores de diversas patologias. Neste sentido, para além de uma alimentação adequada e uma vida ativa, poderá justificar-se a suplementação com prebióticos por serem acessíveis, eficazes e seguros.


Autoria: Beatriz Curado | Nutricionista (3020NE)
Referências Bibliográficas


 

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