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Sol e sistema imunitário?! Existe relação?

Sol e sistema imunitário?! Existe relação?

Longe vai a ideia de que a vitamina D apenas tem impacto na saúde óssea, e muitas informações contraditórias têm surgido acerca das reais necessidades de consumo desta vitamina.


Vitamina D é o nome genérico para “ergocalciferol” (vitamina D2) e “colecalciferol” (vitamina D3), que são formadas a partir das provitaminas ergoesterol e 7-dihidrocolesterol (7-DHC), respectivamente, envolvendo a radiação ultravioleta-B (UVB). A vitamina D3 é considerada como a “verdadeira” vitamina D, devido ao seu grau de efectividade, pois trata-se da mesma substância produzida na pele humana aquando da exposição solar. Por outro lado, a vitamina D2 (ergosterol) é extraída de fungos e cogumelos, cuja produção ocorre também sob efeito da radiação ultravioleta; não está naturalmente presente no corpo humano e pode ter interacções diferentes das de vitamina D3.

A principal função biológica da vitamina D e do seu metabolito activo 1,25(OH)2D (calcitriol) passa por manter a homeostasia do fósforo e do cálcio, juntamente com a acção reguladora das glândulas paratiróides e o factor de crescimento FGF-23.

Nos humanos, a vitamina D é importante no desenvolvimento, crescimento e manutenção do equilíbrio de uma multiplicidade de órgãos e funções do corpo humano, desde a gestação até ao fim da vida.

O genoma humano contém mais de 2700 receptores de calcitriol, o que espelha a sua importância e variedade de funções.

Os principais tecidos alvo do calcitriol são o intestino, os rins e o osso. O calcitriol actua directamente nestes órgãos através de mecanismos de regulação que incluem também as glândulas paratiróides. Estes mecanismos de regulação têm em conta a concentração de cálcio no sangue, sendo que a partir daí toda a cascata se desenrola, tendo sempre como objectivo principal a manutenção dos níveis de cálcio séricos ideais.

Além da homeostasia do cálcio e fósforo, as funções do cacitriol incluem diferenciação celular e acções anti proliferativas em vários tipos de células, como as da medula óssea (precursores de osteoclastos e linfócitos), células pertencentes ao sistema imunológico, na pele, mama e células epiteliais da próstata, músculo e intestino.

A vitamina D é medida em Unidades Internacionais (UI), sendo potente em pequenas quantidades - uma UI é equivalente a apenas 0,000025 miligramas. Assim, 40 UI corresponde a um micrograma.

Como obter a vitamina D?

Existem apenas duas maneiras de obter vitamina D nas quantidades necessárias:

  1. Exposição solar;
  2. Ingestão de suplementos de vitamina D.



Exposição solar - Radiação Ultravioleta

A exposição solar é o método mais eficaz para atingir níveis adequados de vitamina D.

A vitamina D3 é sintetizada na pele após exposição da 7-DHC à irradiação UVB, levando à formação de pro vitamina D3 nas camadas superiores da pele, que, de seguida, origina vitamina D3 nas camadas inferiore. Esta síntese ocorre em função da quantidade de radiação UVB que atinge a derme e a disponibilidade de 7-DHC e de calor (temperatura corporal). Durante os meses de verão, a exposição solar acaba por ser a via principal de síntese desta vitamina.

A ingestão de vitamina D passa a ser essencial quando a exposição à radiação UVB deixa de ser suficiente. Com a latitude crescente, as propriedades qualitativas e quantitativas da luz solar não são suficientes para que a síntese de vitamina D3 na pele ocorra, levando ao chamado “inverno da vitamina D”. Por exemplo, em Itália, o inverno da vitamina D ocorre de novembro a fevereiro; na Alemanha ou Holanda, foi relatado entre outubro e abril; na Noruega, entre o início de outubro e meados de março. Isto é baseado em diferentes modelos e assumindo um dia sem nuvens/atmosfera clara. Além de considerar a latitude e a estação, um índice UV pode ser usado para estimar a síntese de vitamina D3 na pele, assumindo que a exposição ao sol com um índice UV < 3 pode não ser suficiente para fornecer ao corpo a vitamina D necessária.

É importante compreender também que um céu completamente nublado pode atenuar a radiação UVB até 99%. Por outro lado, algumas superfícies, especialmente a neve, podem reflectir até 95% da irradiação UVB. O tempo passado ao ar livre, o uso de protectores solares e roupas também afectam a síntese de vitamina D, no entanto é crucial fazer uma avaliação risco/benefício quando ponderamos realizar uma exposição solar desprotegida e por tempo ilimitado. A síntese de vitamina D induzida pelo sol foi relatada como sendo maior em indivíduos com pele clara em comparação com pessoas com pele escura, devido ao maior conteúdo de melanina na pele do último grupo. A capacidade de síntese de vitamina D na pele, por sua vez, diminui com a idade.

Alguns estudos foram realizados em 2016 por uma equipa de investigadores da Universitat Politècnica de València, em Espanha, com o objectivo de definir o tempo necessário de exposição solar para produção de 1000 UI de Vitamina D, evitando a ocorrência de eritemas solares no país. Estes investigadores analisaram a radiação solar ultravioleta durante as horas de pico solar, entre as 12h00 e as 13h30. Dada a influência do tipo de pele, apenas indivíduos com pele com fototipo III (o tipo mais comum em Espanha, que sempre bronzeia e raramente queima), foram incluídos. De acordo com os investigadores, durante os meses de primavera e verão, um indivíduo consegue produzir 1000 UI de vitamina D expondo 25% da área corporal durante 10 minutps. Este período aumenta consideravelmente no mês de janeiro, quando, com uma exposição corporal de aproximadamente 10%, são necessários em média 130 minutos (mais de 2h). Este resultado poderá justificar os níveis de insuficiência de vitamina D encontrada em países de média latitude nos meses de inverno. Nos restantes meses do ano, este período pode variar entre 7 minutos (julho) e 31 minutos (outubro).

Contudo, estes tempos estimados de exposição solar são afectados por diversos factores como o tipo de pele, a percentagem de área corporal exposta, idade e área geográfica, não podendo ser feita uma extrapolação directa destes resultados para a população geral.

Suplementos alimentares com vitamina D

A ingestão dietética de vitamina D é essencial quando a exposição à radiação UVB é insuficiente.

A vitamina D dos alimentos/suplementos alimentares é absorvida pelo intestino delgado, principalmente no intestino delgado distal. Devido às características lipossolúveis da vitamina D, o processo de absorção é mais eficiente na presença de sais biliares e quando a gordura dietética está presente no lúmen do intestino delgado.

A alimentação não deve ser considerada uma fonte satisfatória de vitamina D. São poucos os alimentos que contêm vitamina D e os que a possuem têm-na em tão baixas quantidades que o seu teor acaba por não ser representativo. No entanto, os alimentos mais ricos em vitamina D são os peixes azuis (arenque, salmão, cavala e linguado), cogumelos shitake e a gema de ovo.

Os suplementos alimentares podem conter quer vitamina D2, quer D3. Ambas são aproveitadas pelo organismo, mas a vitamina D3 parece ser mais eficaz e é preferida por esta indústria. Os suplementos de vitamina D3 são extraídos de lanolina ou do óleo de fígado de bacalhau e é esta a forma de vitamina D que dá a resposta mais eficaz numa situação de carência.

É claramente mais fácil entrar numa situação de carência do que de excesso de vitamina D. No entanto, para estudar um possível impacto do excesso de vitamina D no organismo, foram analisadas possíveis associações entre a ingestão de vitamina D e resultados negativos na saúde a longo prazo. Até agora, nenhum estudo relatou uma associação directa entre estes dois factores, estando a dose máxima tolerada para a ingestão de vitamina D para adultos, incluindo grávidas e lactantes, fixada em 100μg/dia.

A vitamina D e o sistema imunitário

Estudos recentes indicam que a vitamina D pode desempenhar um papel na protecção contra gripes e constipações. Dada a sua influência no sistema imunológico e nas cascatas inflamatórias, a vitamina D pode desempenhar um papel importante na prevenção e no tratamento da infecção.

A imunidade inata fornece a primeira linha de defesa contra agressores externos. O primeiro componente do sistema imune inato consiste numa combinação de barreiras físicas e químicas. A expressão de receptores para a vitamina D em células epiteliais nas vias respiratórias, pele, intestino e sistema urogenital sugere que a vitamina D pode estar envolvida na preservação da integridade da barreira e na manutenção das funções intracelulares. O seu papel na manutenção das funções de barreira também é apoiado pela observação de que a vitamina D regula genes que codificam proteínas nas células epiteliais. O segundo nível de imunidade inata é a produção de péptidos antimicrobianos (AMP) tais como as defensinas e as catelicidinas. Além do seu papel microbicida directo, modulam muitos outros processos imunes, incluindo desgranulação de mastócitos, estimulação da produção de citocinas e quimiocinas, diferenciação celular, permeabilidade vascular, cicatrização de feridas e o processo de apresentação de antigénios.

Finalmente, a vitamina D tem sido indicada como fundamental no terceiro nível de defesa: a resposta imune específica, principalmente através do seu efeito no recrutamento de células fagocíticas e início de resposta inflamatória.

Outros mecanismos de acção relatados são: aumento do número e função das células T reguladoras, a diminuição da produção das citocinas inflamatórias e estímulo de células T natural killer (defesa conta as células tumorais e infecções virais).

A deficiência de vitamina D pode favorecer o desenvolvimento de células T autorreativas direcionadas contra tecidos do próprio organismo e a síntese de interleucinas pró-inflamatórias, assim como alterações nos receptores de vitamina D, sendo frequentemente associada ao desenvolvimento de doenças auto-imunes.

As associações clínicas entre a prevalência de doenças relacionadas à imunidade e a deficiência de vitamina D estão amplamente divulgadas na literatura. Os resultados da maioria dos estudos observacionais relatam uma relação inversa entre a concentração da vitamina D e o risco de infecção aguda do tracto respiratório, tuberculose e pneumonia em populações pediátricas e adultas. O impacto da vitamina D em várias condições dermatológicas, como cicatrização de feridas, psoríase, dermatite atópica e acne também foi relatado.

Apesar destes fortes laços observacionais e teóricos entre a vitamina D e distúrbios do sistema imunológico, alguns estudos comprovam o efeito terapêutico da suplementação com vitamina D. Num estudo randomizado em dupla ocultação, realizado em 2012 por investigadores do Karolinska Institutet of Stockholm, em pacientes com transtorno imunológico e ataques frequentes de infecção aguda do tracto respiratório, foram utilizadas 4.000 UI de vitamina D3 diariamente durante 1 ano. Este estudo mostrou uma diminuição de 23% no número de ataques de infecção aguda e 60% de redução do uso de antibióticos. Embora existam estudos limitados sobre o efeito da intervenção da vitamina D em crianças, a maioria das publicações mostra um efeito benéfico da suplementação com vitamina D na redução das infecções agudas do tracto respiratório.

Se ainda houver dúvidas quanto à importância da vitamina D…

Lembre-se que é uma vitamina com actividade em vários sistemas e de importância reconhecida na regulação da actividade das células do sistema imunitário, homeostasia do cálcio e saúde osteoarticular, saúde da pele, neurológica, do sistema endócrino e prevenção da diabetes, etc…

Certamente ainda muito está por descobrir acerca da importância desta vitamina, mas até lá, que tal pensarmos em aumentar o teor de vitamina D com as armas que temos ao nosso alcance? 

BIBLIOGRAFIA:

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