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A Soja (Glycine max), cultivada pela primeira vez na China, por volta de 1100 a.C., é uma das plantas agrícolas mais importantes devido à sua composição em macronutrientes. Difere marcadamente de outras leguminosas, por ter um teor de proteína e gordura superior e muito menor em hidratos de carbono1,2. Para além de ser uma boa fonte de compostos bioativos com potencial terapêutico: antihiperlipidémico, antihiperglicémico, atividades anti-hipertensivas, antioxidantes, anti-inflamatórias, anticancerígenas, anti obesidade e neuroprotetoras 2.

A Soja é um alimento notável, não só pelo seu conteúdo total em proteína, mas também pela qualidade da mesma 1. Contém quantidades superiores de arginina comparativamente com outras fontes de proteína, desempenhando um papel chave na estimulação da libertação de hormonas anabólicas que promovem a formação de músculo 3.

Vários estudos suportam que o consumo de proteínas de elevada qua­lidade, como a de Soja, promovem a síntese de proteína muscular  e um estudo recente concluiu que a suplementação com proteína de Soja produz ganhos em força e massa magra com treino de resis­tência, similar aos da proteína do soro de leite 4,5.

O declínio da força e massa muscular nas mulheres na menopausa aparenta ser dependente de estrogénio e embora o papel deste na sarcopenia permaneça pouco claro, a proteína de Soja poderá melhorar o estado muscular por efeito do estrogénio 3.

A FDA autorizou a utilização de alegações de saúde, na rotulagem de produtos à base de Soja, associadas à proteína de Soja e o risco reduzido de doença cardíaca coronária, por diminuição dos níveis de colesterol no sangue2.

A literatura sugere que a Soja pode proteger contra doenças cardíacas, melhorando a função endotelial e possivelmente diminuindo a progressão de aterosclerose, para além de reduzir o colesterol LDL, sendo ela própria baixa em gordura saturada e fonte de ácidos gordos essenciais – ácido linoleico ómega 6 e ácido alfa-linolénico ómega 3 6–8.

A Soja é a maior fonte de isoflavonas (genisteína, daidzeína e gliciteína), classificadas como moduladoras seletivas dos recetores de estrogénio e como fitoestrogénios, cujos efeitos levam a que sejam vistas como alternativa à hormonoterapia convencional e a evidência científica demonstra potencial na abordagem a condições associadas à transição da menopausa e aos sintomas associados, nomeadamente os afrontamentos.

Como tal, a sua suplementação é frequentemente utilizada no tratamento de sintomas de menopausa e prevenção de condições associadas ao envelhecimento, como doenças cardiovasculares e osteoporose na pós-menopausa, sendo que os homens podem beneficiar da sua toma na redução do risco de cancro da próstata9.

Em suma, o consumo de alimentos à base de Soja tem aumentado pelos seus efeitos benéficos na saúde e prevenção de doenças crónicas, que incluem a redução dos níveis de colesterol, prevenção de vários tipos de cancro, doenças cardiovasculares, ginecológicas e endócrinas (associadas a menopausa), metabólicas (como diabetes e obesidade), renais, intestinais, musculosqueléticas e neurológicas (função cognitiva e memória) 2,13–15.

Bibliografia

1. Messina M. Soy and health update: Evaluation of the clinical and epidemiologic literature. Nutrients. 2016. doi:10.3390/nu8120754
2. Li N, Wu X, Zhuang W, et al. Soy and Isoflavone Consumption and Multiple Health Outcomes: Umbrella Review of Systematic Reviews and Meta-Analyses of Observational Studies and Randomized Trials in Humans. Mol Nutr Food Res. 2020. doi:10.1002/mnfr.201900751
3. Shenoy S, Bedi R, Sandhu JS. Effect of Soy Isolate Protein and Resistance Exercises on Muscle Performance and Bone Health of Osteopenic/Osteoporotic Post-Menopausal Women. J Women Aging. 2013. doi:10.1080/08952841.2013.764252
4. Messina M, Lynch H, Dickinson JM, Reed KE. No difference between the effects of supplementing with soy protein versus animal protein on gains in muscle mass and strength in response to resistance exercise. Int J Sport Nutr Exerc Metab. 2018. doi:10.1123/ijsnem.2018-0071
5. Tang JE, Phillips SM. Maximizing muscle protein anabolism: The role of protein quality. Curr Opin Clin Nutr Metab Care. 2009. doi:10.1097/MCO.0b013e32831cef75
6. Munro IC, Ph D, Harwood M, et al. Soy Isoflavones : A Safety Review. Nutr Rev. 2003;61(1):1-33. doi:10.131/nr.2003.janr.1
7. Messina M. Soy foods, isoflavones, and the health of postmenopausal women. Am J Clin Nutr. 2014;100(1):423-430. doi:10.3945/ajcn.113.071464
8. D’Adamo CR, Sahin A. Soy foods and supplementation: a review of commonly perceived health benefits and risks. Altern Ther Health Med. 2014.
9. Andres S, Abraham K, Appel KE, Lampen A. Risks and benefits of dietary isoflavones for cancer. Crit Rev Toxicol. 2011;41(6):463-506. doi:10.3109/10408444.2010.541900
10. Kato-Kataoka A, Sakai M, Ebina R, Nonaka C, Asano T, Miyamori T. Soybean-derived phosphatidylserine improves memory function of the elderly Japanese subjects with memory complaints. J Clin Biochem Nutr. 2010;47:246-255. doi:10.3164/jcbn.10-62
11. Manor I, Magen A, Keidar D, et al. The effect of phosphatidylserine containing Omega3 fatty-acids on attention-deficit hyperactivity disorder symptoms in children: A double-blind placebo-controlled trial, followed by an open-label extension. Eur Psychiatry. 2012;27:335-342. doi:10.1016/j.eurpsy.2011.05.004
12. Moriel P, Mourad AM, De Carvalho Pincinato E, Mazzola PG, Sabha M. Influence of soy lecithin administration on hypercholesterolemia. Cholesterol. 2010;2010:1-4. doi:10.1155/2010/824813
13. Xiao CW. Health Effects of Soy Protein and Isoflavones in Humans. J Nutr. 2008;138(6):1244S-1249S. doi:10.1093/jn/138.6.1244s
14. Friedman M, Brandon DL. Nutritional and health benefits of soy proteins. J Agric Food Chem. 2001. doi:10.1021/jf0009246
15. Nachvak SM, Moradi S, Anjom-shoae J, et al. Soy, Soy Isoflavones, and Protein Intake in Relation to Mortality from All Causes, Cancers, and Cardiovascular Diseases: A Systematic Review and Dose–Response Meta-Analysis of Prospective Cohort Studies. J Acad Nutr Diet. 2019. doi:10.1016/j.jand.2019.04.011

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